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Veículos Elétricos são a nova revolução na indústria automóvel

BMW i3 | Photo By BMW
BMW i3 | Pho­to By BMW

Por Paula Lamares

A indús­tria automóv­el é por excelên­cia um barómetro rel­a­ti­va­mente aos dados da econo­mia inter­na­cional e nacional, ten­do sido uma das indús­trias mais rel­e­vantes a nív­el mundi­al nas últi­mas décadas. Por out­ro lado, a defe­sa do ambi­ente é sen­ti­da hoje em dia como uma neces­si­dade pre­mente nos país­es mais indus­tri­al­iza­dos. Assim, não é de admi­rar que a pro­dução de veícu­los com motor elétri­co este­ja em pleno cresci­men­to, ao mes­mo tem­po que as grandes mar­cas investem cada vez mais em mel­ho­rar as per­for­mances e autono­mia dos car­ros elétri­cos. Esta evolução está dire­ta­mente lig­a­da com os pro­gres­sos na ger­ação, armazenagem e dis­tribuição de ener­gia elétri­ca para veícu­los automóveis. Mas, nem sem­pre foi assim, um lon­go cam­in­ho tem sido per­cor­ri­do antes de se poder afir­mar que a nova ger­ação de veícu­los elétri­cos são o cam­in­ho do futuro, numa indús­tria tradi­cional­mente lig­a­da aos grandes inter­ess­es económi­cos do petróleo.

Se voltar­mos ao ano de 2009, os veícu­los elétri­cos tin­ham autono­mia lim­i­ta­da a ape­nas 160 km, não ten­do out­ra pre­ten­são que não fos­se o setor dos veícu­los pre­dom­i­nan­te­mente urbanos. A crise económi­ca que se ini­ciou esse mes­mo ano, con­tribuiu para que a indús­tria automóv­el que con­tou com muitas falên­cias nes­sa época, tivesse que mudar as suas estraté­gias e ini­ciar um proces­so de dis­rupção indus­tri­al. Na Europa, mer­gul­ha­da em crise, a recu­per­ação ini­ci­a­va-se lenta­mente, mas o diesel ain­da era o sen­hor abso­lu­to nos prin­ci­pais mer­ca­dos.

Renault Zoe | Fotografia Renault
Renault Zoe | Fotografia Renault

A Renault apre­sen­ta, então, uma gama com­ple­ta de veícu­los elétri­cos e até um sis­tema de tro­ca de bate­rias autom­a­ti­za­da. Naque­la época, era a solução para a baixa autono­mia das célu­las de íons de lítio, o que de fato viria a rev­olu­cionar o seg­men­to, sain­do de tablets e smart­phones para con­quis­tar as ruas. A mar­ca criou a Bet­ter Place, uma fun­dação que asso­ciou france­ses e nipóni­cos e que lev­ou à cri­ação de estações de tro­cas de bate­rias em segun­dos. O tem­po de recar­ga era alto e tro­car o pacote por um preço razoáv­el resolvia o prob­le­ma de mui­ta gente, espe­cial­mente de quem mora­va em con­domínio, onde a recar­ga domés­ti­ca é impos­sív­el, mes­mo em pro­je­tos mais atu­ais.

Mais tarde, na Ale­man­ha, a Elon Musk da Tes­la Motors foi o grande pas­so rumo ao futuro, con­seguin­do atin­gir os 482 km de autono­mia. Em Paris, o Opel Ampera atinge os 500 km de autono­mia, enquan­to a mar­ca alemã tes­ta­va a sua ver­são P100D com quase 600 km. Podemos afir­mar que foi, assim, atingi­do o pon­to de viragem nos motores elétri­cos, sain­do defin­i­ti­va­mente do con­ceito exclu­si­va­mente urbano.

Mas, se a questão da autono­mia parece resolvi­do, o preço ele­va­do é ain­da um obstácu­lo a ultra­pas­sar, rumo á mas­si­fi­cação do con­ceito, e só os incen­tivos fis­cais pare­cem mino­rar as difer­enças para o preço dos car­ros a gasoli­na e diesel. A indús­tria pre­cisa de ele­va­da pro­dução para que o cus­to se aprox­ime dos con­cor­rentes polu­idores. A Tes­la Motors tem como obje­ti­vo fab­ricar 100.000 carros/ano a par­tir de 2019. Nos últi­mos anos, o preço das bate­rias tam­bém caiu para metade e espera-se que até 2021 desçam ain­da 30 por cen­to.

Opel Ampera | Fotografia Opel
Opel Ampera | Fotografia Opel

Tam­bém no que respei­ta a recar­gas de bate­rias, A Tes­la, mais uma vez inovou com o Super­charg­er, uma rede de eletro­pos­tos para que os Mod­el S e X não deix­em os seus ocu­pantes na estra­da. Além do “plug”, já começam a sur­gir recar­gas wire­less e até pro­postas de vias elet­ri­fi­cadas, que reabaste­cem de ener­gia os veícu­los que nela rodam.

Não é de admi­rar, pois, que recen­te­mente, Elon Musk ten­ha anun­ci­a­do o iní­cio da pro­dução do Mod­e­lo 3 da Tes­la, a Vol­vo garan­tiu que a par­tir de 2019 todos os seus mod­e­los terão um motor elétri­co e Paris proclam­ou a intenção de, até 2040, proibir a ven­da de veícu­los movi­dos a gasoli­na ou a gasóleo.

Tesla Supercharger | Fotografia Tesla
Tes­la Super­charg­er | Fotografia Tes­la

Será que é pos­sív­el afir­mar, então, que a indús­tria automóv­el está num proces­so ini­cial de rev­olução tec­nológ­i­ca? Ten­do em con­ta o peso no con­sumo mundi­al de ener­gia, que mudanças e con­se­quên­cias daí advirão no quadro geopolíti­co mundi­al? Todas estas mudanças estão cen­tral­izadas nos país­es ricos de cap­i­tais sofisti­ca­dos, com uma classe média próspera, como os EUA, alguns país­es da Europa, o Japão, Sin­ga­pu­ra e Chi­na. Ain­da que os EUA e a Europa este­jam em van­tagem em relação à Chi­na. No que se ref­ere às infraestru­turas elétri­c­as, necessárias à pro­dução de uma nova ger­ação de veícu­los elétri­cos.

Em 2016, a França ultra­pas­sou a Norue­ga que lid­er­ou as ven­das de car­ros elétri­cos (cer­ca de 12.000) durante os últi­mos anos. A França pas­sa, assim, a lid­er­ar o rank­ing de ven­da de car­ros elétri­cos na Europa, onde mais de 15.000 con­sum­i­dores se decidi­ram pelos veícu­los ecológi­cos (dados de 2016), com 49 por cen­to de cresci­men­to. É tam­bém um veícu­lo francês quem coman­da a tabela das ven­das, com o Renault Zoe a atin­gir um vol­ume nos primeiros seis meses de 2016 de 11.790 unidades. Na 2.ª posição surge o até aqui líder, o Nis­san Leaf, com 11.117 automóveis com­er­cial­iza­dos. Sur­preen­dente é a 3.ª posição obti­da pelo Mod­el S, da Tes­la, de longe a pro­pos­ta mais onerosa de todo o rank­ing, com a Volk­swa­gen a con­quis­tar a 4.ª e a 9.ª posições com o e-Golf e o e-up!, respec­ti­va­mente.

Tesla Model S | Fotografia Tesla
Tes­la Mod­el S | Fotografia Tes­la

A esse fac­to não é alheio o cresci­men­to do Grupo que inclui a Renault, Dacia, Sam­sung e Lada que vendeu 1,88 mil­hões veícu­los novos no 1º semes­tre de 2017, um val­or que cresce 10,4% face a 2016, isto num mer­ca­do que aumen­tou 2,6%. Esta é a pro­va de que a apos­ta nos car­ros elétri­cos pode ser um cam­in­ho viáv­el para o futuro da indús­tria automóv­el e um incen­ti­vo ao seu cresci­men­to e evolução.

No que se ref­ere a Por­tu­gal, a ven­da de car­ros elétri­cos tem vin­do a crescer nos últi­mos anos, muito dev­i­do aos incen­tivos fis­cais intro­duzi­dos em 2015, mas ain­da com uma fra­ca rep­re­sen­tação no mer­ca­do glob­al, com ape­nas um car­ro elétri­co por 500 automóveis ligeiros. Foram tam­bém ado­tadas medi­das estru­tu­rais pelo gov­er­no por­tuguês, com o obje­ti­vo de acel­er­ar o cresci­men­to de car­ros elétri­cos no país. Uma dessas medi­das foi a facil­i­tação da insta­lação de pon­tos de car­rega­men­to em espaços pri­va­dos, cen­tros com­er­ci­ais e con­domínios, com mais de 1500 pon­tos de car­rega­men­to em todo o país.

Em 2017, as ven­das de automóveis elétri­cos aumen­taram 210% em janeiro face ao mês homól­o­go do ano pas­sa­do, quan­do se vender­am ao todo 756 car­ros elétri­cos, segun­do dados da Asso­ci­ação Automóv­el de Por­tu­gal (ACAP), a que não é alheio o novo incen­ti­vo do gov­er­no para este ano, traduzi­dos em mil cheques de 2250 euros que o Fun­do Ambi­en­tal dis­põe para a aquisição de automóveis elétri­cos. No entan­to, muito há ain­da a faz­er, como a baixa no IVA como acon­tece nos restantes país­es europeus e a remod­e­lação e manutenção de pos­tos de abastec­i­men­to que entre­tan­to se encon­tram ao aban­dono.

Smart Fourtwo Electric Design
Smart Fourt­wo Elec­tric Design | Fotografia Daim­ler-Benz
Nissan Leaf | Fotografia Nissan
Nis­san Leaf | Fotografia Nis­san

 

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