Contributos pouco claros à luz do novo Passe Social

O novo passe social tem sido alvo de tan­tos enal­tec­i­men­tos por uns e crit­i­cas aguer­ri­das por out­ros que me arriscaria a diz­er que esta é uma das medi­das mais con­sen­suais dos últi­mos 40 anos.

Levan­do em lin­ha que todas as medi­das Salazaris­tas ger­avam sem­pre um con­sen­so úni­co,… não con­tam.

Mas, con­sen­suais como?

Então, vejamos: Esta é uma medi­da cuja pater­nidade é recla­ma­da pelo min­istro do Ambi­ente do gov­er­no social­ista, rouba­da por um pres­i­dente de Câmara social­ista ao municí­pio de Cas­cais que é geri­do por um pres­i­dente de Câmara social-democ­ra­ta, mas, que o Blo­co de Esquer­da afir­ma só ter sido pos­sív­el por sua influên­cia na geringonça… e que se cor­rer mal, todos dirão que é uma medi­da comu­nista.

Ora aqui temos aqui­lo que se chama de “con­sen­so alarga­do”. Podemos diz­er, assim, que o bebé Nave­g­ante tem inúmeros pais, mas, pos­sivel­mente uma mãe de aluguer, pois, Assunção Cristas não quis assumir nen­hum com­pro­mis­so. Já que ela gos­ta é de “namorar” com os agricul­tores e, como se sabe, este Passe Social é crit­i­ca­do por ser uma medi­da dis­crim­i­natória para o Inte­ri­or do país, onde os estrangeiros ain­da fazem algu­ma agri­cul­tura.

Esta críti­ca é, aliás, apon­ta­da pelo líder do PSD que disse achar “injus­to que o resto do País pague por um passe que nun­ca uti­lizará”. Ora bem, Sr. Rui Rio fique saben­do que eu vivo na área met­ro­pol­i­tana de Lis­boa, tam­bém paguei o túnel do Marão e nun­ca lá pas­sei.

O mes­mo é diz­er que tam­bém paguei todos os quilómet­ros da A24 do Inte­ri­or Norte e nun­ca fui a Vila Verde da Raia. Mas, isso claro deve ser prob­le­ma meu que, depois de pagar a maior parte dos impos­tos em nome da sol­i­dariedade inter-regiões, sub­ja­cente à coesão nacional, deix­ei de ter din­heiro para via­jar.

Para os que alegam que a redução drás­ti­ca no preço dos trans­portes públi­cos é uma “bom­ba eleitoral”, Ladies acalmem lá as pachachin­has. Não chega baixar os preços até ao nív­el do cócó e, assim, dar mais din­heiro às pes­soas, se depois o povo não tem pro­du­tos nas prateleiras.

A questão é, colo­can­do os pass­es ao preço da maria cachucha, será que vai haver trans­portes para todos? Se já se vai de pé na maio­r­ia dos com­boios e auto­car­ros à hora de pon­ta como é que vai ser quan­do mais povo deixar o car­ro em casa porque o passe é mais bara­to que as porta­gens?

Se o metro de Lis­boa suprim­iu car­ru­a­gens na hora de pon­ta, o que vão faz­er quan­do todas as horas forem de pon­ta?

Se os com­boios não têm peças para serem repara­dos porque é que não se investe antes na ren­o­vação da fro­ta e depois se pen­sa na revisão dos preços?

Isto da redução do preço dos trans­portes públi­cos parece aque­la sen­ho­ra que gan­ha a lote­ria e decide ir faz­er com­pras à Aveni­da da Liber­dade porque quan­do fazia as limpezas naque­las lojas, o seu son­ho era ser trata­da como uma cliente end­in­heira­da. Mas, não pen­sa sequer ir ao den­tista arran­jar os dentes porque ninguém son­ha com idas ao estom­a­tol­o­gista.

Este sim é o ver­dadeiro emble­ma da pobreza e do pen­sa­men­to ter­ceiro mundista.

Quem disse que os gov­er­nos eram tal­ha­dos à imagem e semel­hança dos seus gov­er­na­dos, disse tudo.

Entre­tan­to, não emban­deirem em arco e não pensem já em vender o car­rin­ho. Vamos lá ver se a “bom­ba eleitoral­ista”, de arte­sanal não se trans­for­ma numa ver­dadeira bom­ba nuclear que rebente de vez com a geringonça deste país.

Paula Lamares
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Depois fui amanhecendo, um fiozinho de mim por ali afora, dias adentro de varanda ao colo. Até que comecei a pegar aos poucos na rédea do enfado, a realidade menos pegajosa e morna, devagarinho a vestir-me de mim:... Acendia-se as primeiras luzes na serra. Se me desse na veneta hoje voltaria a escrever. Desde então não paro de nascer.
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