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Formula 1: O que ler dos testes de Barcelona

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Sebastien Vettel, Ferrari SF71H | Photo Scuderia Ferrari
Sebastien Vet­tel, Fer­rari SF71H | Pho­to Scud­e­ria Fer­rari

A primeira regra nos testes é nunca tirar uma leitura liniar dos tempos realizados”

Cer­tos que o tit­u­lo des­ta parte do nos­so arti­go é uma ver­dade inques­tionáv­el, tam­bém não é menos ver­dade que, para nós que esta­mos de fora e sobre­tu­do os que faze­mos a cober­tu­ra à dis­tân­cia, a tabela de tem­pos é quase tudo o que podemos dis­por. Dito isto e procu­ran­do ver o con­jun­to mais alarga­do de tem­pos real­iza­dos, o que podemos con­cluir?

Pirelli com misturas mais rápidas

A Pirelli apre­sen­ta um con­jun­to de mis­turas que per­mitem que os car­ros andem mais rápi­do. Não me refiro ape­nas aos Hiper Soft (Pneu com faixa côr de Rosa) que per­mi­ti­ram aos Fer­rari de Vet­tel e Raikko­nen ser os primeiros a baixar para o segun­do 17; 3 segun­dos abaixo do mel­hor tem­po ofi­cial real­iza­do no cir­cuito da Catalun­ha. As mel­ho­rias foram gerais e não deix­am muitas mar­gens para dúvi­das. Se olhar­mos para os tem­pos real­iza­dos no 3º dia da segun­da fase de testes (6 a 9 de Março), ver­i­fi­camos que ape­nas o Williams de Stroll (ultra macios) andou no segun­do 20 e que entre todos os out­ros, encon­tramos difer­entes tipos de mis­tu­ra: Médios na Mer­cedes, Macios na Aston Mar­tin Red Bull, Super Macios na Haas e no Williams de Kubi­ca e Hiper Macios em todos os out­ros. O segun­do mel­hor tem­po foi mes­mo real­iza­do pelo Haas de Mag­nussen, que­bran­do a hege­mo­nia dos hiper macios e colo­can­do o car­ro da equipa amer­i­cana a 1.178s do Fer­rari. Este fac­to, con­sideran­do a difer­ença entre as duas mis­turas de pneus, pode indicar que o car­ro de Gene Haas estará mais próx­i­mo do objec­ti­vo de 0,5s que o próprio esta­b­ele­ceu em declar­ações pro­feri­das antes dos testes de Barcelona.

É obvio que exis­tem aqui out­ros fac­tores, como afi­nações especi­fi­cas e quan­ti­dade de com­bustív­el no depósit­om, que descon­hece­mos e que podem influ­en­ciar os anda­men­tos, mas a ver­dade é que todos estão mais rápi­dos e isso pode ser expli­ca­do pelas novas mis­turas apre­sen­tadas pela Pirelli.

Honda, Renault e Mclaren

No primeiro dia de testes em Barcelona, muito foi dito sobre o fac­to de a Toro Rosso, ago­ra com motor Hon­da, ter com­ple­ta­do um grande número de voltas sem quais­quer prob­le­mas no seu car­ro. Hoje, últi­mo dia de testes con­stata­mos que, não só fiz­er­am um grande número de voltas, 822 no con­jun­to das duas sessões de testes , como têm anda­do con­sis­ten­te­mente entre os mais rápi­dos do segun­do pelotão da F1 (não Fer­rari, Mer­cedes e Aston­Martin Red­Bull). Já o motor Renault tem dado muito boa con­ta de si nos chas­sis da Aston Mar­tin Red­Bull e da pŕo­pria mar­ca france­sa. No que  à Aston Mar­tin Red­Bull se ref­ere, o con­jun­to tem tido tan­to suces­so que hoje esta­mos con­ven­ci­dos que a equipa de Mil­ton Keynes irá ser um forte adver­sário de Mer­cedes AMG e Fer­rari, exten­den­do o primeiro pelotão a três equipas.

Já no que diz respeito à McLaren, parece obvio que a equipa está com um prob­le­ma de “design”. O car­ro tem para­do várias vezes em pista, dan­do origem a diver­sas ban­deiras ver­mel­has, por fuga de óleo e/ou sobreaque­c­i­men­to. A ver­dade é que o mes­mo motor que na Aston Mar­tin Red­Bull tem dado tão boa con­ta do reca­do, na McLaren tem soma­do prob­le­mas. O car­ro anda e anda bem, fazen­do tem­pos bons, mas depois surge um prob­le­ma e vol­ta à garagem pas­san­do horas inter­mináveis em reparações.

A questão parece estar, não no motor, mas no seu com­par­ti­men­to que parece não asse­gu­rar um arrefec­i­men­to efi­caz. Não somos mecâni­cos, muito menos engen­heiros, pelo que não nos sen­ti­mos qual­i­fi­ca­dos para avaliar o prob­le­ma, mas se o mes­mo motor, noutros car­ros fun­ciona, então porque não fun­ciona no chas­sis Mclaren? Cer­ta­mente um prob­le­ma de casa­men­to entre chas­sis e motor.

Pelo que sabe­mos, hoje, a equipa pro­cedeu a nova mudança de propul­sor, a segun­da esta sem­ana, e ape­sar de Alon­so diz­er que estão pron­tos para a cor­ri­da na Aus­trália, caso ela fos­se já aman­hã, o tem­po que a equipa tem gas­to em reparações, é tem­po que não aproveitou em recol­ha de infor­mação em pista. Este é um prob­le­ma acresci­do para a McLaren que terá de faz­er um esforço acresci­do, se quer chegar a Mel­bourne capaz de dis­cu­tir as posições cimeiras.

Sergey Sirotkin, Williams FW41 Mercedes. World Copyright: Andrew Hone/Williams F1
Sergey Sirotkin, Williams FW41 Mer­cedes. World Copy­right: Andrew Hone/Williams F1

Poderá Sirotkim ser um problema?

A chega­da do rus­so à Fro­mu­la 1 leva-nos a uma últi­ma reflexão. O cur­ricu­lum do pilo­to não é nada por aí além. Cer­ta­mente que não é medi­u­cre, mas não pas­sa de um cur­ricu­lum medi­ano. O pilo­to rus­so tem os seus mel­hores resul­ta­dos na Fór­mu­la Abarth europeia (2011), na auto GP World Séries (2012) e, mais recen­te­mente (2015 e 16) na GP2 séries. Tem exer­ci­do funções de pilo­to de testes na Sauber e, nos últi­mos anos na Renault. Tudo isto seria nor­mal, ou aceitáv­el, se o anda­men­to em pista não destoasse dos restantes con­cor­rentes, mas não é isso que tem trans­pare­ci­do dos testes de Barcelona.

Nos primeiros testes na Catalun­ha Sirotkin foi assus­ta­do­ra­mente mais lento que todos os out­ros. Se nos encon­trásse­mos em cor­ri­da, o williams do rus­so ia assemel­har-se mais a uma chi­cane móv­el do que a um con­cor­rente. Já nestes segun­dos testes a coisa tem anda­do mel­hor, ou menos mal. A per­gun­ta que nos colo­camos é até que pon­to o din­heiro pode por em causa a segu­rança dos out­ros?

Claire Williams não está a diz­er  toda a ver­dade quan­do afir­ma que Sirotkim é o mel­hor pilo­to disponív­el para com­ple­tar o alin­hamen­to da equipa para as cor­ri­das. A Williams con­ta com Robert Kubi­ca que tem demon­stra­do ser o pilo­to mais rápi­do da equipa durante os testes. Neste momen­to, o pilo­to mais rápi­do da equipa é o pilo­to de testes o que, em min­ha opinião, é estran­ho. Admiti­mos que dadas as neces­si­dades finan­ceiras, esta seja a mel­hor solução para a equipa, mas esper­amos sin­ce­ra­mente que o pilo­to rus­so ande um pouco mais rápi­do do que tem anda­do, pois, se assim não for, a dado momen­to pas­sa estor­var mais que par­tic­i­par e aí ten­ho dúvi­das se será jus­ti­ficáv­el.

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