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  • September 19, 2019
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O novo passe social tem sido alvo de tantos enaltecimentos por uns e criticas aguerridas por outros que me arriscaria a dizer que esta é uma das medidas mais consensuais dos últimos 40 anos.

Levando em linha que todas as medidas Salazaristas geravam sempre um consenso único,… não contam.

Mas, consensuais como?

Então, vejamos: Esta é uma medida cuja paternidade é reclamada pelo ministro do Ambiente do governo socialista, roubada por um presidente de Câmara socialista ao município de Cascais que é gerido por um presidente de Câmara social-democrata, mas, que o Bloco de Esquerda afirma só ter sido possível por sua influência na geringonça… e que se correr mal, todos dirão que é uma medida comunista.

Ora aqui temos aquilo que se chama de “consenso alargado”. Podemos dizer, assim, que o bebé Navegante tem inúmeros pais, mas, possivelmente uma mãe de aluguer, pois, Assunção Cristas não quis assumir nenhum compromisso. Já que ela gosta é de “namorar” com os agricultores e, como se sabe, este Passe Social é criticado por ser uma medida discriminatória para o Interior do país, onde os estrangeiros ainda fazem alguma agricultura.

Esta crítica é, aliás, apontada pelo líder do PSD que disse achar “injusto que o resto do País pague por um passe que nunca utilizará”. Ora bem, Sr. Rui Rio fique sabendo que eu vivo na área metropolitana de Lisboa, também paguei o túnel do Marão e nunca lá passei.

O mesmo é dizer que também paguei todos os quilómetros da A24 do Interior Norte e nunca fui a Vila Verde da Raia. Mas, isso claro deve ser problema meu que, depois de pagar a maior parte dos impostos em nome da solidariedade inter-regiões, subjacente à coesão nacional, deixei de ter dinheiro para viajar.

Para os que alegam que a redução drástica no preço dos transportes públicos é uma “bomba eleitoral”, Ladies acalmem lá as pachachinhas. Não chega baixar os preços até ao nível do cócó e, assim, dar mais dinheiro às pessoas, se depois o povo não tem produtos nas prateleiras.

A questão é, colocando os passes ao preço da maria cachucha, será que vai haver transportes para todos? Se já se vai de pé na maioria dos comboios e autocarros à hora de ponta como é que vai ser quando mais povo deixar o carro em casa porque o passe é mais barato que as portagens?

Se o metro de Lisboa suprimiu carruagens na hora de ponta, o que vão fazer quando todas as horas forem de ponta?

Se os comboios não têm peças para serem reparados porque é que não se investe antes na renovação da frota e depois se pensa na revisão dos preços?

Isto da redução do preço dos transportes públicos parece aquela senhora que ganha a loteria e decide ir fazer compras à Avenida da Liberdade porque quando fazia as limpezas naquelas lojas, o seu sonho era ser tratada como uma cliente endinheirada. Mas, não pensa sequer ir ao dentista arranjar os dentes porque ninguém sonha com idas ao estomatologista.

Este sim é o verdadeiro emblema da pobreza e do pensamento terceiro mundista.

Quem disse que os governos eram talhados à imagem e semelhança dos seus governados, disse tudo.

Entretanto, não embandeirem em arco e não pensem já em vender o carrinho. Vamos lá ver se a “bomba eleitoralista”, de artesanal não se transforma numa verdadeira bomba nuclear que rebente de vez com a geringonça deste país.

Paula Lamares
paula.shortsories@gmail.com

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