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  • September 19, 2019
XT3 e Objetivas
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Vamos começar por deixar claro que a Fujifilm X-T3 é sem margem para dúvidas uma excepcional câmara todo-o-terreno, ideal para o fotógrafo que um dia está a fazer reportagem social, no outro trabalho de estúdio e termina a semana a fazer a cobertura de um evento desportivo (indoor ou outdoor). Equiparando-se ou, mesmo superiorizando-se às câmaras da concorrência, o sistema da Fujifilm destaca-se pelo peso inferior e pelo preço que chega a ser menos de metade do das marcas concorrentes.

A Ideia

Nas últimas 5 edições do Millennium Estoril Open, a Jlpress tem tido presença constante na sala de imprensa em todos os dias do torneio, fazendo a cobertura dos jogos e procurando reunir um portfolio de imagens de todos os jogadores.

Nas anteriores edições sempre trabalhamos com o sistema Canon EOS (EOS 1D MK II N e objectivas da serie L, Nomeadamente a 70-200 F4 e a 24-105 F4).

Em Novembro de 2018 decidimos fazer um upgrade ao equipamento e, depois de estudar bem todas as possibilidades que o mercado nos oferecia, optamos pela Fujifilm e pelo seu sistema X. A nossa escolha inicial recaiu na X-T2 com a objectiva 18-55 F2.8/4.

Quando chegou a altura de nos envolvermos na preparação do Millennium Estoril Open (algo que começamos a fazer cerca de 3 meses antes do evento) propusemos à Fujifilm um desafio: Testar a nova X-T3 num evento desportivo de alto nível, no terreno, em situação real e em situações limite que poriam as performances da nova câmara fotográfica à prova.

Mais, seriamos, como se veio a verificar, a única equipa de reportagem presente na sala de imprensa e no terreno de jogo com Fujifilm.

A Fujifilm Portugal acolheu a ideia de braços abertos. Os dados estavam lançados.

Na altura do evento foi-nos colocado à disposição um corpo X-T3, uma objectiva XF 100-400 F4.5/5.6 R LM OIS WR e uma objectiva XF 10-24 F4 R OIS. Este foi o material que nos pareceu reunir as melhores condições para uma equipa de reportagem; digamos, o kit inicial para enfrentar um evento destes.

Este equipamento pode ainda ser complementado com a objectiva XF 50-140 F2.8 R LM OIS WR. No caso de fotógrafos que se dediquem a desporto indoor (pavilhão) a troca da XF 100-400 pela XF 50-140 poderá ser uma opção a considerar. Por indisponibilidade de material não foi possível testarmos a XF 50-140.

Configurações

O livro de instruções da câmara é claro, a utilização do Obturador Eletrónico (OE) em situações onde o objecto se mova rapidamente dentro do enquadramento, pode gerar distorções da imagem. Mesmo assim, quisemos comprovar e resolvemos experimentar. O resultado foram algumas imagens com clara distorção da raquete e da bola, algumas, como a que mostramos aqui, não nos deixaram qualquer dúvida sobre a impossibilidade de utilização do OE.

O livro de instruções da câmara é claro, a utilização do Obturador Eletrónico (OE) em situações onde o objecto se mova rapidamente dentro do enquadramento, pode gerar distorções da imagem. Mesmo assim, quisemos comprovar e resolvemos experimentar. O resultado foram algumas imagens com clara distorção da raquete e da bola, algumas, como a que mostramos aqui, não nos deixaram qualquer dúvida sobre a impossibilidade de utilização do OE.

Millennium Estoril Open 2019, Qualifying,

Com o OE fora das nossas opções ficamos “limitados” ao obturador mecânico e às suas 11 fps que como veremos mais à frente se mostraram mais que suficientes.

Outro aspecto importante nas configurações é a definição do parâmetro Redução da Oscilação para NÃO. A razão é simples; quando este parâmetro está activo, a velocidade de disparo é consideravelmente reduzida.

Outras modificações que consideramos importantes para a redução do consumo e maximização da performance foram: Desligar a visualização da imagem e desligar o LCD (apenas visualizar pelo view finder (VF)).

Com estas especificações e embora exista um atraso na imagem do view finder, ele é praticamente imperceptível.

O equilibrio dos brancos foi definido como automático (a nossa experiência anterior com a X-T2 dava garantias do resultado), o ISO andou quase sempre entre os 1600 e 6400, sendo que em situações mais dificeis chegou mesmo aos 12800. Raramente foi utilisado um iso inferior a 1600. A velocidade de obturação escolhida preferencialmente foi 1/8000s para congelação de movimentos a abertura nunca abaixo de F5.6, mas preferencialmente, mais perto de F8, para optimizar a profundidade de campo.

A objectiva XF 100-400 tem estabilizador de imagem (o corpo X-T3 não possui estabilização de imagem) que esteve sempre activo. O Rui Elias fotografou sempre sem mono-pé fazendo uso intensivo da estabilização oferecida pela objectiva. Já eu, usei sempre o mono-pé. A eficácia da estabilização de imagem foi uma das vantagens que o Rui mais salientou.

Quanto às configurações de foco foram utilizadas todas as configurações possíveis. Foco no ponto (diferentes tamanhos), foco na zona (diferentes tamanhos) e foco de rastreio. A X-T2 e X-T3 possuem ainda a possibilidade de escolher o modo all.

Dos 3 modos disponíveis o que mostrou mais eficaz foi o foco à zona com tamanho intermédio. Curiosamente quando optamos pelo modo All a focagem tornou-se quase sem falhas. Muito rápida e precisa.

Resultados em Imagens

Começamos justamente pelo foco e nitidez. as imagens apresentadas na galeria que se segue não tem qualquer correção. Mesmo aquelas que o programa de edição de imagem poderia automaticamente implementar, foram anuladas. Os resultados saltam à vista.

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Ruido a ISO elevado, diferença claro escuro com pouca luz.

O Jogo que Frances Tiafoe disputou no dia 30 de Abril tinha todas as condicionantes para um bom desafio à X-T3 com a XF 100-400.

O jogo realizado já depois das 18 horas, acontecia numa altura do dia onde a luz natural começava a escassear e a artificial ainda não estava ligada. Para além disso o tom de pele de Frances, por ser negro, absorve muita luz e cria dificuldades na medição da exposição para a câmara. a Câmara foi utilizada com o sistema de medição matricial.

A foto de João Domingues foi tirada na conferência de imprensa a 12.800 ISO. Com ela pretende-se demonstrar o baixo nível de ruído patente na imagem, considerando o elevado ISO utilizado. Chamamos a atenção para a qualidade dos pormenores patentes na imagem.

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Imagens em sequência

Nas imagens que se seguem pretendemos mostrar dois aspectos: a capacidade de colocação da bola dentro do enquadramento no maior número de imagens e a capacidade de o foco acompanhar essas mesmas imagens. Nas imagens que se seguem pretendemos mostrar dois aspectos: a capacidade de colocação da bola dentro do enquadramento no maior número de imagens e a capacidade de o foco acompanhar essas mesmas imagens.

A capacidade de colocar a bola dentro do enquadramento não depende só do material com que trabalhamos, mas muito do dedo/olhar do fotógrafo e da posição escolhida. Ambas estas condicionantes estavam resolvidas à partida, pois tanto o Rui Elias, como eu, já reunimos experiência quanto baste para que estes dois aspectos não sejam postos em causa.

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Na sequência acima, em que João Sousa bate a bola, estamos colocados exactamente no canto oposto ao jogador. A distância focal utilizada é de 227mm. a bola aparece em três imagens estando focada na primeira, no limite do foco na segunda e fora de foco na terceira. Em todas as cinco imagens o jogador está focado.

Na sequência que se segue, estamos do mesmo lado do campo de Pablo Cuevas e ligeiramente atrás da sua posição em campo. Encontramo-nos muito próximos do jogador e a distância focal usada foi de 100mm. Nestas circunstâncias a captação da bola é mais difícil. Neste caso a imagem foi realizada a 1/6400s que em certas circunstâncias, pode tornar perceptível algum arrastamento da bola.

Cuevas encontra-se focado em todas as imagem. A bola surge na segunda e terceira fotografia. Não estando perfeitamente nítida, mas parece-nos devido ao arrastamento.

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Na última sequência que apresentamos, voltamos a estar no canto oposto de Stefanos Tsitsipas. A distância focal é de 219mm e Tsitsipas encontra-se focado em todas as imagens. a bola surge em 4 das 5 imagens mostradas, encontrando-se focada nas imagens 2 e 3.

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Conclusões

Muito bem; é verdade que a a Fujifilm XT-3 (mesmo a X-T2) não se pode bater com uma Canon EOS 1 DX (MKII). Se é um fotógrafo cujo o trabalho é, digamos 85%, desporto de acção; se o seu budget é ilimitado e se o peso do material que carrega é desprezível; então, a Fujifilm X-T3 não é para si.

No entanto se um ou mais dos três requisitos acima mencionados não se cumprir, então a Fujifilm X-T3 complementada por qualquer das opticas Fujinon do sistema X que estão à disposição do mercado, é a sua opção mais acertada.

O sistema consegue com o preço que é praticado, por à disposição do fotógrafo avançado, recursos próprios de câmaras profissionais e, à disposição do profissional, os recursos que necessita sem que, para isso tenha que estourar com o seu orçamento.

Para além do preço, é extremamente leve. A minha actual X-T2 com objectiva montada, pesa metade do corpo da minha EOS 1D MKII N (que guardei como recordação).

Acreditem que o factor peso é muito importante. Sobretudo quando o nosso trabalho nos obriga a constantes deslocações a pé, por terrenos nem sempre muito amigos do fotógrafo.

Em 9 dias de Millennium Estoril Open, a Fujifilm X-T3 realizou 27724 disparos, levou com vento e pó normais num evento ao ar-livre que decorre em terra batida e nem por um só momento nos falhou. Mais, uma das nossas maiores preocupações, o consumo de baterias, acabou por nem ser um problema. De facto, não houve um único dia em que esgotasse duas baterias e mesmo quando era necessário mudá-las em pleno jogo, o processo revelou-se muito simples. Sublinhe-se que em todos os dias a X-T3 esteve sujeita a um tratamento intensivo.

Na minha opinião, a questão do sensor ser um APS-C e não um Full Frame (FF), continua a ser uma falsa questão, ou se preferirem uma questão de marketing.

A qualidade das imagens a ISO elevado não são justificação para a opção por uma FF. Pelo menos se a alternativa for a Fujifilm X-T3 (ou mesmo a X-T2). Mesmo para fotografia arquitetónica, onde o espaço pode ser limitado, a Fujifilm consegue dar resposta através da sua objectiva XF 8-16 F2.8 R. Objectiva dispendiosa? Sim, mas o conjunto da X-T3 com a XF 8-16 f2.8 R, ainda assim, fica consideravelmente mais barato do que a alternativa de uma Canon 5D MK IV com a Canon EF 11-24 F4 L(cerca de 6000€ o conjunto) ou a Sigma 12-24 F4 DG HSM ART (cerca de 4500€ o conjunto).

A questão da ergonomia da máquina não foi problema. Tanto eu como o Rui Elias temos mãos grandes e ambos nos adaptamos bem e sentimos confortáveis. Houve colegas que experimentaram e queixaram-se que sobravam “dois dedos de mão”. Sem problema! A utilização do punho VG-XT3, para além de melhorar a ergonomia, trás um acréscimo de energia ao permitir juntar duas baterias à que a máquina já possui (sim as 3 funcionam em conjunto).

Logo, em nossa opinião e face à experiência acumulada a Fujifilm X-T3 é uma alternativa a considerar muito seriamente. Seja um fotografo que está a iniciar carreira, ou um fotógrafo a pensar num upgrade de material.

Uma nota final para os serviços de assistência prestados pela PM2S Ibéria.

A minha Fujifilm X-T2 seguiu para a manutenção necessária após um evento destes. Revisão geral e limpeza. Seguiu via correio para o Porto na terça-feira de manhã e voltou na sexta antes do almoço. Limpa, revista e pronta para o que se segue. Serviço de excelência.

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