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  • September 19, 2019
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Aqueles que me conhecem sabem que se um dia as forças de segurança me baterem à porta e me ameaçarem com a prisão, caso eu não vá trabalhar; a minha resposta é simples, curta e direta: Prendam-me!

Não estou com isto a criticar, julgar ou a emitir uma opinião sobre os motoristas que, ameaçados, coagidos, pressionados, cederam e foram trabalhar. De todo. Estou a sublinhar que a prepotência me tira do sério e que a minha forma de reagir é obrigar quem me ameaça a ser consequente.

Os motoristas, para além de terem razão, estão a ser eles, primeiro e mais que ninguém, vitimas de todo este processo.

Não tenho nada contra o Sr. Pardal Henriques, não o conheço, nunca convivi com ele. Já do Sr. André Almeida, embora também não o conheça e nunca tenha convivido com ele, não me inspira nem confiança nem qualquer tipo de simpatia.

Na verdade, aquilo que me parece saltar à vista é que, no ponto a que as coisas chegaram, estas duas personalidades não estão a contribuir em nada para a resolução do conflito. Bem pelo contrário.

Quem está a pagar o prejuízo desta guerra são os motoristas. Não não somos nós, cidadãos portugueses habituados aos bons costumes e a greves inofensivas. Porque seriamos? Porque temos que percorrer várias bombas para meter o combustível que necessitamos? Ou por não usufruirmos do carro tanto quanto gostaríamos? Será que há, de facto, algum português que tenha ficado impedido de trabalhar, de ser tratado num médico, clínica ou hospital, que não tenha que dar de comer para si ou para os seus, por causa desta greve?

Photo by Michal Zacharzewski from FreeImages

Greves selvagens?

As greves só surtem efeito se provocarem incómodo, caso contrário não fazem sentido. É verdade que uns causam mais incómodo que outros, mas isso é o que é; ou será que aqueles que provocam estragos sérios à nação não tẽm direito à greve? Lembram-se dos policias que nem sindicato tinham? Porquê, não têm direitos?

Há muitos anos atrás, no Reino Unido, os mineiros entraram em conflito com as entidades patronais e fizeram greve. Quando? No inverno! A greve foi violenta, prejudicou toda uma nação que num inverno rigoroso tremeu de frio. Por isso foi eficaz. As greves são assim!

O problema que estas greves (enfermeiros, motoristas de matérias perigosas,…) levantam é que saem do status, “democraticamente” criado pelo tempo e pelos partidos, que esta é uma área exclusiva das centrais sindicais e seus amigos (partidos políticos) mais próximos. O problema é que estes sindicatos independentes vieram pôr em causa algo que os políticos, governantes ou não, achavam que tinham controlado. Já repararam onde estão todos os antigos dirigentes sindicais do passado recente?

Serviços mínimos e requisição cívil.

Analisemos a seguinte situação: Os serviços mínimos decretados obrigam que os funcionários encarregues de os cumprir trabalhem num período temporal de 16h. Cada funcionário trabalha 8 horas e, nessas 8 horas ele é obrigado por lei a parar 45 minutos. Como falamos de motoristas, eles estão sujeitos ao código da estrada que o obriga a circular em certas e determinadas condições. Digamos que tenho oito motoristas destacados e que os serviços minimos decretados exigem que esses oito motoristas trabalhem em simultâneo… Ao fim de oito horas eles param. Porquê? Porque cumpriram com o seu horário de trabalho! Logo preciso de mais oito motoristas, estes destacados para o período da tarde ou das últimas 8 horas do meu período total de 16h.

Parece-me evidente que se não houver motoristas destacados para um segundo período de 8 horas, os serviços minimos não vão ser cumpridos. A culpa não é dos motoristas, mas da incompetência de quem os devia ter destacado e dividido por turnos!

É neste panorama que o governo decreta uma requisição civil. Os nossos políticos e governantes, em geral, já nos habituaram ao facto de não serem muito perspicazes, ou, quanto muito, de o serem quando lhes convém.

Das duas uma! Ou os nossos governantes não foram muito perspicazes e caíram na esparrela de quem queria a todo o custo uma requisição civil, ou, eles próprio agiram em conluio com os respetivos interessados.

De qualquer forma, apesar de pregarem aos sete ventos o contrário, os nossos governantes não ficaram muito bem na fotografia, mas, como tudo, só vê quem quer ver.

Photo by dave gostisha from FreeImages

Concluindo

Aquilo que me parece saltar à vista é que o caminho que se anda a trilhar não augura um bom fim. Desta forma isto não vai terminar bem.

Se os atuais protagonistas não são capazes de sair deste registo, então, a bem daqueles que defendem, por favor saiam de cena e deem lugar a outros que sejam capazes de por o processo no bom caminho.

Aos políticos e governantes, aos lobistas envolvidos, dêem-lhes uma folguinha se faz favor. Nem vocês, nem os vossos protegidos, vão ganhar com isto.

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